

O vaginismo ainda é frequentemente associado a um problema “apenas psicológico”. No entanto, essa interpretação é simplista e não contempla a complexidade da condição.
Atualmente, o vaginismo está relacionado ao Transtorno de Dor Gênito-Pélvica/Penetração, classificação utilizada pelo DSM-5-TR, que reúne dificuldades relacionadas à penetração, dor e respostas musculares involuntárias.
Uma das características importantes é a contração involuntária da musculatura do assoalho pélvico, que pode dificultar ou até impedir a penetração.
Essa contração não acontece de forma voluntária. Por isso, dizer que a pessoa precisa simplesmente “relaxar” ou “ter mais controle” não corresponde à complexidade do problema.
Aspectos psicológicos podem participar do quadro, como ansiedade, medo da dor, experiências negativas e determinadas crenças relacionadas à sexualidade. Entretanto, esses fatores não devem ser considerados, isoladamente, como a causa do vaginismo.
A condição pode envolver a interação entre fatores físicos, emocionais e relacionais, tornando necessária uma avaliação individualizada.
O cuidado deve considerar as necessidades de cada pessoa e pode envolver uma abordagem interdisciplinar, com profissionais como ginecologistas, fisioterapeutas pélvicos e psicólogos, conforme a avaliação clínica.
Mais do que identificar uma única causa, é importante compreender os diferentes fatores envolvidos e oferecer um tratamento baseado em evidências.
Vaginismo não é simplesmente “psicológico”. É uma condição complexa que merece avaliação, acolhimento e cuidado adequado.