
Os implantes hormonais manipulados têm ganhado espaço no debate sobre tratamentos hormonais, especialmente entre mulheres no climatério e na menopausa. Eles também são divulgados para diferentes objetivos, como melhora da disposição, desempenho físico, ganho de massa muscular, emagrecimento, tratamento de sintomas sexuais e propostas de antienvelhecimento.
Diante da expansão desse tipo de tratamento, sociedades médicas e científicas manifestaram preocupação com o uso de implantes hormonais manipulados, principalmente pela ausência de evidências clínicas robustas que comprovem sua eficácia e segurança para diversas dessas finalidades.
A chamada Carta do Rio de Janeiro, elaborada em outubro de 2026 por entidades médicas e científicas relacionadas aos tratamentos hormonais, diferencia a terapia hormonal baseada em medicamentos estudados e registrados dos implantes manipulados que não passaram pelo mesmo conjunto de avaliações.
São preparações hormonais produzidas por manipulação magistral e administradas por meio de implantes inseridos no organismo.
Entre as substâncias mencionadas na Carta estão testosterona, gestrinona e estradiol, além de outros produtos que podem ser utilizados em diferentes combinações.
Um ponto importante destacado pelas sociedades médicas é que uma formulação manipulada não deve ser automaticamente considerada equivalente a um medicamento registrado.
Medicamentos registrados passam por processos de avaliação relacionados à qualidade, segurança, eficácia, estabilidade e características farmacêuticas. Segundo a Carta, essas informações não estão necessariamente disponíveis para os implantes hormonais manipulados utilizados em larga escala.
A segurança depende da substância utilizada, da indicação, da dose, da via de administração, das características da paciente e da existência de evidências científicas que sustentem aquele tratamento.
No caso específico dos implantes hormonais manipulados, a Carta destaca a ausência de dados suficientes para algumas das indicações comerciais atualmente divulgadas.
Entre as preocupações estão a falta de estudos adequados sobre:
Portanto, a existência de um produto manipulado não significa, por si só, que ele tenha o mesmo nível de evidência de um medicamento registrado.
Uma característica importante dos implantes hormonais é que, depois da inserção, a exposição ao hormônio pode permanecer durante meses.
Essa característica diferencia o implante de outras formas de administração nas quais a dose pode ser ajustada ou o tratamento interrompido de maneira mais imediata.
Segundo a Carta do Rio de Janeiro, caso ocorram concentrações hormonais excessivas ou eventos adversos, não é possível simplesmente interromper a administração do hormônio. A retirada também pode ser difícil ou incompleta, especialmente quando são utilizados pellets bioabsorvíveis.
Esse aspecto é particularmente relevante quando se considera um tratamento hormonal que precisa ser individualizado e acompanhado ao longo do tempo.
A terapia hormonal da menopausa é reconhecida como uma opção terapêutica legítima quando existe indicação adequada e quando são respeitadas suas contraindicações.
A própria Carta ressalta que a terapia hormonal da menopausa possui evidências científicas e pode contribuir para a saúde e a qualidade de vida das mulheres quando corretamente indicada.
O ponto de atenção é que essa evidência não pode ser automaticamente transferida para formulações manipuladas em implantes, principalmente quando são utilizadas combinações ou doses que não foram adequadamente estudadas.
Entre as questões que permanecem sem resposta suficiente para determinadas aplicações de implantes manipulados estão possíveis efeitos sobre:
A testosterona merece uma análise específica porque existe uma diferença importante entre seu uso baseado em evidências e sua utilização para finalidades sem respaldo científico adequado.
De acordo com o posicionamento apresentado na Carta, a indicação de testosterona em mulheres respaldada por consensos internacionais é o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres pós-menopáusicas cuidadosamente avaliadas, utilizando doses capazes de manter as concentrações hormonais dentro da faixa fisiológica feminina.
O documento também afirma que não há evidência científica suficiente para utilizar testosterona com o objetivo de:
Além disso, a Carta afirma que implantes, injeções e preparações capazes de produzir níveis supr fisiológicos não são recomendados.
A gestrinona é um esteroide sintético. Segundo a Carta do Rio de Janeiro, não existe indicação cientificamente estabelecida para sua utilização como terapia da menopausa, reposição hormonal, melhora metabólica ou estratégia de antienvelhecimento.
O documento também chama atenção para possíveis efeitos adversos, incluindo:
Algumas dessas alterações podem ser potencialmente persistentes.
Não necessariamente.
O termo “bioidêntico” pode ser utilizado para descrever determinados hormônios, mas a utilização dessa denominação não constitui, por si só, uma garantia de eficácia, qualidade farmacêutica ou menor risco.
A Carta destaca que a denominação “bioidêntico” não substitui a avaliação científica e regulatória necessária para demonstrar a segurança e eficácia de um produto.
Por isso, ao avaliar um tratamento hormonal, é mais importante analisar qual substância está sendo utilizada, para qual indicação, em qual dose, por qual via, quais evidências existem e como será realizado o acompanhamento.
Segundo a Carta do Rio de Janeiro, não existem evidências científicas adequadas que sustentem o uso dos implantes hormonais manipulados para essas finalidades.
O documento também não encontra respaldo científico para utilização desses produtos com objetivos de aumento de energia, melhora cognitiva, prevenção cardiovascular ou longevidade.
Isso é particularmente importante porque a divulgação comercial de tratamentos pode apresentar benefícios potenciais de maneira mais ampla do que aquilo que foi efetivamente demonstrado em estudos clínicos.
Não.
Essa é uma das principais distinções apresentadas pelas sociedades médicas.
A Carta não se posiciona contra a terapia hormonal como um todo. O documento reconhece que existem formulações hormonais registradas, estudadas, ajustáveis e monitoráveis, administradas por diferentes vias, que podem ser utilizadas quando há indicação clínica.
Portanto, discutir os riscos e limitações dos implantes hormonais manipulados não significa ser contra a terapia hormonal.
A questão central é utilizar o tratamento adequado para cada paciente, considerando evidências, indicação, dose, via de administração, contraindicações e possibilidade de acompanhamento.
A decisão sobre tratamento hormonal deve ser individualizada e tomada em conjunto com profissional habilitado.
Algumas perguntas são fundamentais:
1. Qual é a indicação do tratamento?
Existe uma condição clínica específica que justifique o uso?
2. O tratamento possui evidências científicas para essa indicação?
Resultados observados em outras situações podem não ser aplicáveis automaticamente.
3. Qual substância será utilizada?
É importante conhecer exatamente o hormônio ou medicamento prescrito.
4. Qual será a dose?
Dose maior não significa necessariamente maior benefício e pode aumentar a exposição a efeitos adversos.
5. Qual é a via de administração?
A via influencia a farmacocinética, o controle da dose e a possibilidade de interrupção do tratamento.
6. Como será feito o acompanhamento?
Tratamentos hormonais precisam ser avaliados considerando resposta clínica, efeitos adversos e características individuais.
7. É possível ajustar ou interromper rapidamente o tratamento?
Essa questão ganha importância especial quando se considera uma formulação implantável.
A Carta do Rio de Janeiro solicita medidas relacionadas à manipulação, comercialização, distribuição, publicidade e utilização de implantes hormonais manipulados no Brasil, além do fortalecimento da fiscalização, farmacovigilância e notificação de eventos adversos.
O documento reforça, entretanto, que a medicina personalizada continua sendo importante.
A individualização do tratamento deve considerar as características e necessidades de cada paciente, mas dentro dos limites estabelecidos pela ciência, ética e proteção sanitária.
Implante hormonal é seguro?
A segurança depende da formulação, indicação, dose e evidências disponíveis. A Carta do Rio de Janeiro destaca a ausência de evidências suficientes para respaldar diversas utilizações de implantes hormonais manipulados.
Implante hormonal é a mesma coisa que terapia hormonal da menopausa?
Não. A terapia hormonal pode utilizar formulações registradas, estudadas e monitoráveis. A evidência existente para a terapia hormonal não deve ser automaticamente extrapolada para implantes hormonais manipulados.
Testosterona pode ser usada por mulheres?
Segundo a Carta, a indicação respaldada por consensos internacionais é o transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres pós-menopáusicas cuidadosamente avaliadas, com doses que mantenham concentrações fisiológicas femininas.
Testosterona serve para emagrecer?
A Carta afirma que não há evidência científica para utilização da testosterona com objetivo de emagrecimento, ganho muscular, melhora cognitiva, aumento de energia, prevenção cardiovascular ou longevidade.
Gestrinona é indicada para menopausa?
Segundo o documento, não existe indicação cientificamente estabelecida da gestrinona para terapia da menopausa, reposição hormonal, melhora metabólica ou antienvelhecimento.
“Bioidêntico” significa que o hormônio é mais seguro?
Não. A denominação “bioidêntico”, isoladamente, não garante eficácia, qualidade farmacêutica ou menor risco.
endocrino.org.br
febrasgo.org.br
imsociety.org
diabetes.org.br
abemss.org
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portaldaurologia.org.br
sobrac.org.br
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sbhepatologia.org.br
Carta do Rio de Janeiro — Posicionamento das sociedades médicas sobre implantes hormonais manipulados. Rio de Janeiro, outubro de 2026. Documento fornecido pela ABEMSS/SBEM no material de referência.