

A sexualidade ainda é um tema cercado de tabus, crenças populares e informações equivocadas — mesmo em tempos de tanto acesso à informação.
Esses mitos não apenas distorcem a compreensão sobre o corpo e o prazer, como também geram culpa, ansiedade e dificuldades nos relacionamentos.
Na ABEMSS (Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual), defendemos que falar sobre sexualidade é falar sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida.
Listamos 7 mitos muito comuns sobre sexualidade — e o que a ciência realmente diz sobre cada um deles.

Esse é um dos mitos mais persistentes.
A verdade é que o desejo sexual pode mudar, mas não desaparece após a menopausa.
A queda hormonal (especialmente de estrogênio e andrógenos) pode afetar a lubrificação, a sensibilidade e o interesse sexual, mas fatores emocionais, relacionais e de autoestima também desempenham um papel essencial.
Muitas mulheres continuam tendo vida sexual ativa e prazerosa mesmo após a menopausa.
👉 Estudos mostram que a sexualidade feminina persiste ao longo da vida, embora com novas dinâmicas e necessidades de adaptação.
(Clue, 2022, SciELO Brasil, 2020)
A sexualidade vai muito além do ato sexual com penetração.
Ela envolve prazer, afeto, toque, intimidade, fantasia, cumplicidade e comunicação.
Limitar o sexo apenas à penetração exclui inúmeras formas de vivenciar o prazer e reforça uma visão reducionista e centrada em padrões culturais antigos.
Falar sobre sexualidade de forma ampla é reconhecer que o prazer não tem uma única forma — e cada pessoa vive essa experiência de modo singular.
O desejo sexual é biopsicossocial — ou seja, envolve corpo, mente e contexto.
Reduzir o desejo apenas a uma questão psicológica ignora o impacto do corpo e das relações no comportamento sexual.
Nem sempre.
A ideia de que uma relação sexual só é “completa” quando há orgasmo cria pressão, frustração e ansiedade de desempenho.
A satisfação sexual não depende exclusivamente do orgasmo. O prazer pode vir do toque, da conexão emocional e da intimidade.
Muitos estudos reforçam que o foco no desempenho reduz a espontaneidade e o prazer, prejudicando a experiência sexual de ambos os parceiros.
São fenômenos diferentes.
O orgasmo é uma experiência neuromuscular e sensorial de prazer intenso, enquanto a ejaculação é a liberação de sêmen pelas glândulas reprodutivas.
Homens podem ter orgasmo sem ejaculação, especialmente em casos de ejaculação retrógrada ou em práticas de controle ejaculatória.
Mulheres, por sua vez, não ejaculam da mesma forma — embora possam liberar fluidos vaginais durante o orgasmo.
Separar essas duas respostas fisiológicas ajuda a compreender melhor o funcionamento sexual e a diversidade de experiências possíveis.

A testosterona tem papel importante no desejo sexual, mas não é a única responsável.
Em mulheres, a terapia com testosterona tem sido estudada em casos específicos, como o transtorno de desejo sexual hipoativo, mas ainda carece de consenso e deve ser cuidadosamente indicada.
Disfunções sexuais podem ter múltiplas causas: psicológicas, relacionais, hormonais, vasculares e até medicamentosas.
Tratar apenas com reposição hormonal, sem investigar o conjunto de fatores, raramente resolve o problema.
(ResearchGate, 2023)

A disfunção erétil pode ter origem física, psicológica ou mista.
Entre as causas orgânicas mais comuns estão:
Causas psicológicas — como ansiedade de desempenho, estresse e depressão — também podem contribuir, mas é fundamental investigar todas as possibilidades com um médico especialista.
(MSD Manuals, FEBRASGO)
A sexualidade é uma dimensão complexa do ser humano — atravessada por biologia, emoções, cultura, relacionamentos e experiências.
Reduzir esse tema a mitos e estereótipos empobrece o entendimento sobre o corpo e o prazer.
Falar abertamente sobre o tema, com base em evidências científicas e sem tabus, é uma forma de promover saúde, autonomia e qualidade de vida.
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